quarta-feira, 12 de setembro de 2012

José Roberto responde a declaração de Paula Pequeno.



Entrevista:

A conquista da medalha em Londres foi marcada por momentos de superação do time. A Seleção ficou ameaçada de não se classificar para a fase eliminatória, teve que defender seis match points contra a Rússia e superou uma situação muito complicada no primeiro set contra os Estados Unidos na final, após ter perdido por 25/11. O que, para você, foi o mais determinante na conquista do bicampeonato olímpico?

Eu acho que foi o fato de a gente acreditar. Nós estávamos treinando muito bem, mas não estávamos conseguindo traduzir no jogo o treinamento que estávamos executando. Acho que a partir do momento que elas acreditaram que a crise que estávamos vivendo poderia ser transformada em oportunidade, aí foi o mais importante. Foi o momento, para mim, da virada. Ou seja, sair de uma situação difícil, mas ainda tendo oportunidade de continuar na competição. Em cada chance que tínhamos de continuar o time ficava mais forte. Quando perdemos da Coreia, tivemos uma reunião e a gente conversou sobre a nossa postura de não valorizar tanto o erro e valorizar mais o acerto, de um dar força ao outro e não ficar em uma condição de crítica, mas de positividade. Isso já teve reflexo contra a China, quando jogamos melhor. Depois vieram os momentos angustiantes que vivemos antes do jogo dos Estados Unidos com a Turquia, quando não sabíamos como os Estados Unidos iriam se comportar (se as norte-americanas perdessem, o Brasil estaria fora das Olimpíadas). Mas eu tinha certeza de que elas jogariam para ganhar e não abririam o resultado para Turquia. Aquilo nos deu uma força maior, porque foi uma nova oportunidade que ganhamos. Depois, veio a vitória contra a Sérvia e, aí, estávamos classificados para as quartas de final. Ali, não importava contra quem iríamos jogar. Poderia ser contra a seleção do mundo. A única coisa que queríamos era mais uma chance. Então, cada vez que ultrapassávamos uma barreira e obtínhamos uma nova chance, aquilo era um bálsamo importante para a gente. Contra a Rússia, que foi um jogo épico, que vai marcar a história do vôlei mundial, quando tivemos seis match points e conseguimos virar, aquilo deu uma força muito grande para o time, além de ter marcado nossos adversários. Todos eles sabiam que o Brasil, quando ganha força e ritmo, muda completamente e vira um time muito perigoso. Acho que o próprio Estados Unidos sentiu isso, quando ganhamos da Rússia naquelas circunstâncias.

Mas na final veio aquele 25/11 no primeiro set que deixou todo mundo atordoado…

Taticamente, tínhamos que cumprir algumas situações que tínhamos estudado e não conseguimos fazer no primeiro set, principalmente no nosso saque. A partir do segundo set, quando encaixamos melhor o saque e nosso bloqueio e o sistema defensivo começou a funcionar, os Estados Unidos também sentiram. Até aquele momento, os Estados Unidos não tinham sido pressionados por nenhum time na competição. Eles tinham perdido só dois sets e nenhum time tinha feito frente.

Nenhuma grande jogadora digere bem um corte ou o fato de se barrada do time titular. Você viveu essas duas situações recentemente com a Mari, que foi cotada das Olimpíadas de Londres, e a Paula Pequeno, que foi para o banco durante os Jogos da Inglaterra e declarou que foi mal aproveitada na competição? Como está o relacionamento com elas depois disso?

A Paula foi superinfeliz com essa declaração. A Fernanda (Fernanda Garay) entrou muito bem e as mesmas informações que Fernanda teve e a Jaqueline teve a Paula também teve. Foi uma questão de momento, de a Fernanda estar melhor do que ela (Paula), assim como a Jaqueline, que fez uma partida contra os Estados Unidos memorável. Existem momentos que fazem uma jogadora. Assim como a Paula foi a MVP (melhor jogadora da competição) das Olimpíadas de 2008 e ela estava brigando com a Mari para ver quem é que seria a titular, pois a titular seria a Jaqueline e ela se machucou e aí acabou jogando a Mari e a Paula. Isso faz parte. É uma disputa e em um dia você está bem e em outro está mal. Acho que a Paula foi infeliz. A Paula tem fundamentos que não estavam condizendo. Por exemplo, a Paula tem um péssimo saque. A Paula não sabe sacar. É uma situação em que a gente já perde no saque da Paula. E ela, no passe, não estava em uma fase muito boa. A Fernanda Garay estava melhor. Então, foi onde a Fernanda acabou acrescentando mais para o time. Ela atacou bem, bloqueou direitinho, defendeu… Existe esse momento da atleta e acho que a Paula tinha que ter respeitado a situação em que a Fernanda Garay e a Jaqueline estavam vivendo. Não que ela foi mal aproveitada. O mesmo estudo que foi feito com o time foi passado para a Paula. Mas a Paula não estava bem.

E como ficou esse relacionamento entre vocês?

Fiquei triste porque acho que ela foi infeliz.

E com a Mari? Você chegou a falar com ela, já que ela demonstrou muita mágoa com o corte?

Respeito a opinião da Mari e acho que ela tem todo o direito de ter ficado chateada por ser cortada. Mas, naquele momento, achamos que a Tandara (atleta de Brasília, que foi campeã em Londres) estava em uma situação melhor. A Mari já tinha tido a chance dela quando ela foi para a Polônia, mas aí estava sempre sentindo o joelho, o ombro… A Mari não estava em um momento bom. Eu sinto muito. Ela é uma jogadora por quem eu sempre tive uma empatia muito grande. Ela foi uma jogadora que esteve comigo no Finasa, no Pesaro, da Itália, e em várias situações. Só que eu não posso cometer injustiças. E, naquele momento, a Mari não merecia estar na Seleção e ficou de fora. Assim como a Fabíola (levantadora de Brasília, que também não disputou as Olimpíadas). A Dani (Dani Lins), quando entrou, entrou melhor. A Fabíola também não estava em um momento bom. A Fernanda (Fernandinha, levantadora) foi diferente. Jogava com mais velocidade, mais precisão. Mas começaram as Olimpíadas e ela não estava muito bem, estava errando. Ai, a Dani entrou e tocou o time muito bem. Equipe é isso. Mas você tem que respeitar os outros jogadores que estão atuando bem. E nós temos as estatísticas para provar essas situações. Não dá para esconder. O mais importante é ter uma equipe em que as 12 jogadoras estão no mesmo nível. Para mim, não interessa o nome de quem está jogando. Quem jogou ou deixou de jogar, não importa. Interessa que a colaboração do elenco seja importante para o time e não que uma ou outra jogadora seja a protagonista. O Brasil nunca teve isso. Sempre jogou como equipe e venceu como equipe.

fonte: http://www.mg.superesportes.com.br

Um comentário:

  1. Claro.. Mari não estava bem.

    E Natália estava voando.

    Ele tem que parar de hipocrisia. Deve estar nos achando com cara de idiota.

    ResponderExcluir