quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Outros: Após choque cultural, time do Osasco convive com diferenças no Qatar

Fernanda Garay aproveitou folga para passear em Doha (Foto: Alessandra Ribeiro/Divulgação)

No ano passado, um problema: na saída de um treino, as jogadoras do Osasco resolveram poupar tempo e seguiram para o hotel sem trocar de roupa. Ao saltarem do ônibus, algumas foram direto fazer compras e viraram alvos de olhares indignados e até de palavras ofensivas pelas ruas. No primeiro momento, não entenderam. Depois, no entanto, perceberam que a confusão toda era por usarem shorts e camisetas no passeio, algo contra os costumes locais. De volta à capital do Qatar para a disputa de mais um Mundial, as meninas da equipe paulista tentam se adaptar às diferenças para evitar um novo incidente cultural no país.

Nesta edição, o Osasco chegou à semifinal depois de duas vitórias na etapa de classificação, uma contra o atual campeão mundial, o Rabita Baku, do Azerbaijão. Na próxima fase, vai enfrentar o Lancheras de Catano, de Porto Rico, que ficou em segundo lugar no grupo B. A partida será nesta quinta-feira, às 4h (horário de Brasília). Na outra semifinal, o Fenerbahçe, time turco que conta com as brasileiras Mari e Paula Pequeno, vai encarar o Rabita Baku.

Até agora, nenhum problema. Na terça-feira, com a folga na competição, algumas jogadoras aproveitaram para fazer compras e conhecer a cidade. Foram a dois shoppings e circularam por mercados populares de Doha, em meio a mulheres cobertas dos pés à cabeça. Em sua primeira temporada no clube, Fernanda Garay admitiu um certo temor de ir às ruas da capital por conta do incidente no ano passado.

- Temi (de ir à rua), sim. No passeio, eu iria sair de regata e as meninas me alertaram para ir de camiseta ou de blusa para evitar esse constrangimento. Quando elas vão para o Brasil, se vestem da nossa forma e, se por um acaso fizessem ao contrário, não seriam mal-tratadas. Lógico que certamente elas chamariam a atenção e todos ficariam olhando, porém, não receberiam nenhum tratamento ruim e, aqui, elas maltratam as estrangeiras. Eu tive um pouco de medo sim, mas é uma cultura muito tradicional e, a partir do momento, que a gente vem pra cá, vem sabendo o que vai enfrentar. Por isso, evitar é melhor do que passar qualquer tipo de constrangimento na rua.
Jogadoras do Osasco fazem compras em
Doha na folga (Foto: Rafael Zito/Divulgação)
Camila Brait, que disputou o Mundial no ano passado, diz que as jogadoras aprenderam a lição. A líbero, que não estava com o grupo no momento da confusão, diz que o incidente isolado serviu para lembrar das diferenças culturais entre Brasil e Qatar.

- Eu não estava junto no episódio no ano passado. Se eles vêem alguém com uma calça mais apertada ou de shortinho, podem achar ruim. A cultura deles é diferente, e, aqui, algumas mulheres não mostram nem o rosto, mas nós temos que respeitar os costumes e a religião local. Estamos no país deles e temos de nos adaptar. Não que tenhamos que nos vestir igual a elas, mas precisamos ter bom senso nas nossas roupas para não enfrentarmos problemas.
Gabi posa para a foto durante o passeio: contrastes culturais (Foto: Alessandra Ribeiro/Divulgação)
Jaqueline disputou o Mundial em 2010. Ao contrário de algumas das companheiras, nunca passou por nenhum problema em Doha. Uma das principais jogadoras da equipe, a ponteira diz ser bem tratada nas ruas da cidade.

- Não tive nenhum problema, muito pelo contrário. Achei as pessoas muito receptivas e estão nos tratando muito bem, assim como em 2010. Lógico que na rua é uma situação diferente porque elas olham para nossa roupa. Mas, desde que chegamos aqui, fomos avisadas que não poderíamos sair de shortinhos e nem de blusinhas cavadas. Tínhamos que sair com uma blusa mais comportada e de calça jeans. É fato que somos de outra cultura, que é bem diferente do povo daqui. Lógico que reparava que estavam nos olhando, mas creio que seja mais por curiosidade do que por qualquer outro motivo.
Samara e Ivna também experimentaram a comida local (Foto: Alessandra Ribeiro/Divulgação)
Adenízia também estava no grupo no ano passado. Neste ano, ela diz, toda a equipe recebeu orientação para que não houvesse problemas no retorno a Doha.

- O Bene (Crispi, supervisor técnico) e o Luizomar (de Moura, técnico) sempre nos alertam com relação aos perigos de sair na rua com shorts curtos. Acho que as mulheres locais ficam assustadas porque no Brasil temos muita liberdade. Quando chegamos a um país onde a mulher não pode nada ou é proibida de muita coisa, acho que elas se assustam porque vivem outra realidade e não sabem como são as coisas em outras partes do mundo. Para elas, aqui é o mundo delas. No entanto, no Brasil há mais liberdade para as mulheres.

Fonte: GloboEsporte

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