domingo, 6 de janeiro de 2013

Superliga: Sheilla: ‘Gostaria de dar uma quebrada’


Sheilla coloca 2012 na balança e, apesar das dificuldades que precisou superar na vida pessoal e profissional, conclui que foi um ano muito bom. Não sem razão. Ao mesmo tempo em que sofreu com a luta da avó contra um câncer, superou uma lesão no ombro e um início de temporada irregular, comemorou conquistas importantes: o bicampeonato olímpico com uma seleção cercada de desconfiança foi a maior delas, além dos títulos paulista, sul-americano e mundial com o Sollys Nestlé/Osasco (SP), time para o qual se transferiu em junho, após duas temporadas no Unilever/Rio de Janeiro. Ela ainda foi eleita a melhor sacadora das Olimpíadas e a melhor jogadora do Mundial de Clubes.

Peça fundamental na campanha olímpica de Londres, a oposta de 29 anos não esconde o cansaço e admite, pela primeira vez, diminuir o ritmo. Como 2013 marca o início do ciclo olímpico que culminará nos Jogos do Rio-2016, o momento seria ideal. Este ano, a seleção disputará o Sul-Americano, ainda sem local e data definidos, o Grand Prix (em agosto, com finais no Japão) e a Copa dos Campeões, em novembro, no Japão, que classificará para o Mundial de 2014, na Itália.

- Eu estou há dez anos na seleção e gostaria de dar uma quebrada um pouco. Até comecei a conversar com o Zé (José Roberto Guimarães, técnico da equipe). Todo ano é importante, 2013 tem o classificatório para o Mundial, mas acho que agora poderia ser. Até porque há as Olimpíadas de 2016, e a possibilidade de conquistar o tricampeonato em casa é um sonho que quero muito realizar - contou ela, por telefone. - Tenho que pensar ano a ano, ver como estou física e psicologicamente. Mas, depois de 2016, devo parar. Já pensei em jogar vôlei de praia. Acho que não é hora ainda, mas pode acontecer.

Enquanto amadurece essas ideias, Sheilla vai curtindo o novo time. Depois de um acidente doméstico no fim de outubro, no qual fraturou um dedo do pé esquerdo, que a tirou da decisão do Campeonato Paulista e do início da Superliga, ela esteve presente nas últimas duas partidas antes do recesso do torneio nacional.
Considerada uma das maiores jogadoras do mundo e eleita a melhor atleta brasileira do ano passado, a oposta diz que recuperou um pouco das energias em Belo Horizonte, onde passou o Natal com a família (o Ano Novo foi na praia, com o namorado e amigos) e já está de volta a Osasco. Na próxima sexta-feira, dia 11, ela entra em quadra para o primeiro jogo do ano pela Superliga, justamente contra o Rio de Janeiro. Ela ainda não enfrentou o ex-time.

- Fui de um time grande para outro grande. A vida de atleta é assim. Eu tenho um carinho enorme pelo Unilever, sou amiga das meninas, da comissão técnica, mas agora somos adversárias - frisou. - Este jogo é muito importante porque vai definir o primeiro colocado do turno (os dois estão empatados na liderança, com 20 pontos, oito vitórias e uma derrota). Por isso, a gente não parou totalmente, continuamos fazendo musculação na folga para não perder na parte física porque a técnica é fácil de recuperar.

Mari ainda tem lugar na equipe

Depois da temporada no Rio, vivendo em Ipanema, próximo à praia, Sheilla garante que a mudança não foi tão difícil, já que morou em São Caetano durante dois anos, na época em que jogou no time da cidade paulista.

Com a mesma tranquilidade que fala sobre a transferência para o interior paulista, ela comenta as fotos sensuais que fez para uma revista masculina em 2012. A repercussão a surpreendeu e o resultado foi aprovado por ela e pela família. Mesmo assim, a jogadora avisa que não está muito disposta a repetir a dose com fotos mais ousadas. Além da satisfazer uma vaidade pessoal, Sheilla acredita que o ensaio foi positivo para o esporte.

- Foi uma oportunidade que apareceu e resolvi fazer. Eu acho que ficou bonito, mas não penso em foto nua. Eu falo que não descarto, porque a gente nunca sabe, mas acho que é quase impossível - revelou. - Como o vôlei não é um esporte tão popular assim, acredito que consegui atrair um pouco o público para o esporte. Na Superliga Feminina, são dez times, só a final é transmitida pela TV aberta... A gente está em segundo, mas ainda falta muito para se aproximar do futebol.

A jogadora também garante que, apesar de ter dado razão à Mari (a ponteira, cortada da equipe semanas antes das Olimpíadas, criticou o técnico Zé Roberto e disse que o clima na seleção era muito ruim) no lançamento da Superliga, em novembro passado, a relação entra ela e o treinador não foi abalada. Embora tenha sido “proibida de falar de seleção” pelo Osasco, faz elogios à ponteira, atualmente no Fenerbahçe, da Turquia, e diz acreditar que o ciclo da jogadora na equipe brasileira não acabou.

- A Mari é uma das maiores jogadoras do mundo. Então, se ela quiser voltar, e conversar com o Zé, claro que terá lugar na seleção - afirmou Sheilla.

Também na sexta-feira, pela nona e última rodada do primeiro turno da Superliga Feminina, o Banana Boat/Praia Clube (MG), em terceiro na classificação geral com 19 pontos (sete vitórias e duas derrotas), enfrentará o Rio do Sul (SC), em nono (seis pontos, com duas vitórias e seis derrotas) às 19h30m, em Uberlândia (MG). Nos outros jogos, o São Cristóvão Saúde/São Caetano receberá o Sesi-SP, às 18h, em São Caetano (SP); o São Bernardo Vôlei jogará com o Pinheiros (SP), às 19h30m, em São Bernardo (SP); e o Vôlei Amil/Campinas (SP) irá a Belo Horizonte pegar o Usiminas/Minas, às 20h.

Fonte: http://oglobo.globo.com/esportes/sheilla-gostaria-de-dar-uma-quebrada-7207086

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