quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Superliga Feminina: Jogadoras vivem dia especial com torcedor

Dos 900 torcedores presentes no jogo, nenhum mexeu mais com as craques do que Paulo Henrique Machado. Quietinho, o fã de Thaísa, Jaqueline e Dani Lins acompanhou todos os lances do duelo deitado em uma maca, instalada no andar superior da Vila Leopoldina.

Foi a primeira vez que Paulo assistiu de perto a uma partida de vôlei. Foi também a primeira vez que o trio de campeãs olímpicas teve contato com o fã especial. “Enquanto me alongava, meu olho encheu de lágrima de saber que ele estava ali. Saber que você tem um super fã é muito tocante. Estava muito emocionada, tentei me concentrar ao máximo para conseguir jogar bem, porque realmente é muito difícil se conter”, disse Thaísa.
 

Vítima de uma paralisia infantil que o acometeu aos dois anos de vida, Paulo já vive há 43 sobre a cama. Desde então, passou a ser assistido pelo Hospital das Clínicas em São Paulo. E foi por lá que fez a maior parte dos amigos, que preenchem o vazio deixado pela família ausente. A mãe Paulo perdeu durante o parto. O episódio afastou o menino do pai, que nunca o aceitou. E os únicos irmãos que têm são do lado paterno.
 

As dificuldades, no entanto, não tiram o sorriso de seu rosto. Autodidata, Paulo se distrai criando páginas da internet. Quando cansa, gosta de ver programas de esporte na TV, entre eles os jogos do São Paulo e das meninas do vôlei.  “Antigamente, ele saía com os amigos, ia ao cinema, mas agora ele já não quer sair tanto. E ele adorou vir ver o jogo de vôlei, achou emocionante”, contou a assistente-social Lígia Márcia Finzetto, que há 36 anos cuida de Paulo.

                                                                             Fabio Rubinato/AGF
O torcedor especial recebeu o carinho do trio após o duelo
 
Assim que Thaísa derrubou a bola da vitória no piso do Sesi-SP, ela, Jaqueline e Dani Lins se juntaram em torno do fã especial, que ganhou camisas autografadas das duas equipes. Mais do que isso: carinho dos ídolos. O trio brincou, tirou fotos e conversou com o torcedor. Jaqueline, por exemplo, quis saber se ele tinha namorada, e Paulo logo apresentou a amada. Dani Lins, por sua vez, perguntou para quem ele tinha torcido e arrancou risadas de todos.

O momento especial, conta Jaqueline, foi importante não só para Paulo. “Ele é um exemplo de vida. Eu passei por uma situação (no Pan de Guadalajara) que eu poderia ter ficado em uma maca, como ele. Apesar dessas dificuldades, ele veio prestigiar a gente. Fiquei muito feliz de saber que ele tem um carinho muito grande por nós, de proporcionar esse momento para ele. Isso não se compara a nada no mundo. É uma honra.” 
 

Durante o encontro, Jaqueline tentou a todo custo conter as lágrimas. Ali, ela só queria passar energias positivas. Além disso, tirou lições que pretende levar para sempre. “Às vezes, a gente reclama da vida, e ele está ali o tempo inteiro sorrindo, brincado, isso é um exemplo para qualquer um. Eu não tenho noção de como nós, com o esporte, atingimos as pessoas. Ele fala que somos exemplos pra ele, mas na verdade ele que é pra nós. Ele serve de motivação para todo mundo.”

                                                                             Fabio Rubinato/AGF

Paulo foi prestigiar o clássico ao lado da assistente-social
 

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