sexta-feira, 22 de março de 2013

Superliga: Proposta da Unilever era a favor de alteração nos bônus



Rejeitada pelos clubes na reunião com a CBV, a proposta da Unilever, segundo o supervisor da equipe, Harry Bollmann Neto, era em prol do vôlei, e não somente do seu time. Questionado sobre o conteúdo apresentado, o dirigente preferiu não dar detalhes até a entidade realizar o anúncio oficial. O L!Net, no entanto, apurou com outros dirigentes as mudanças sugeridas.

A primeira delas diz respeito ao bônus recebido pelos clubes formadores. Jogadoras como a central Adenízia, por ter sido formada e permanecer no Sollys/Nestlé desde a categoria de base, fica zerada, em vez de somar seis pontos para a equipe. A ideia da Unilever era fazer a atleta receber uma pontuação intermediária, neste caso, quatro pontos.

A equipe carioca também sugeriu que as atletas estrangeiras passassem a contar cinco pontos quando contratadas vindas do exterior. E, no ano seguinte, a pontuação seria reavaliada, podendo ser aumentada ou diminuída. Atualmente, a jogadora estrangeira vem sem contar pontos.
No caso das brasileiras repatriadas, também haveria pontuação. Hoje em dia, uma jogadora como a ponteira Mari, que estava na Turquia e quer voltar para o Brasil, vale sete, mas como seria repatriada, também ficaria zerada para o somatório de uma equipe. Ela contaria apenas para o limite de três atletas de valor sete em um mesmo clube.
Caso todas essas sugestões fossem adotadas, a Unilever solicitaria um aumento de 32 para 48 pontos no somatório das equipes.
– A proposta da Unilever foi boa, mas optamos por analisar com calma pois é muito radical. É preciso avaliar o impacto – afirmou o gerente de vôlei do Banana Boat/Praia Clube, André Lelis.
O curioso nas conversas que o L!Net manteve com os dirigentes sobre a proposta da Unilever e os demais temas foi que a maioria disse que Ary Graça teria a palavra final. O dirigente, no entanto, está licenciado do cargo desde que assumiu a presidência da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), em 2012.

A posição dos clubes da Superliga Feminina:
“A polêmica é sobre o clube formador, em especial  o Sollys. Seria legal a atleta passar a pontuar depois de   certo período. Cinco anos é justo para quem investiu” - Fernando Lacerda, técnico do São Bernardo.
“Cada proposta tinha uma parte interessante, mas não tinham como ser aprovadas. É preciso um estudo maior. E também um consenso entre os clubes sobre as mudanças” - Antonio Berardino, supervisor do Pinheiros.
“Temos de repensar o sistema. A proposta da Unilever era parecida com a nossa, mas eles queriam aumentar de 32 para 48 pontos o somatório total que uma equipe pode ter” - Patrícia Axer, supervisora do Usiminas/Minas.
“O clube não falará sobre ranking porque considera que o assunto não é adequado ao momento da competição. De hoje ao dia 7 de abril (data da final) só se fala do vôlei dentro de quadra. Assunto ranking fica para depois” - Posição oficial do Sollys/Nestlé.
“Queremos mudanças, mas só a partir de 2014/2015. Vamos discutir mais o tema. Para a próxima Superliga, vamos manter o ranking como está atualmente” - André Lelis, gerente do Banana Boat/Praia Clube.
“Acho o ranking válido, mas precisa mudar. Apresentamos uma proposta, mas perdemos  na votação. Lamento que, na hora de optar pela mudança, a maioria não quer” - Harry Bollmann Neto, supervisor da Unilever.
“Todo ano analisamos e há mudanças no ranking. Temos de melhorar alguns aspectos e, não só evitar o desequilíbrio, como também que alguma atleta fique desempregada” - Montanaro, gestor do Sesi-SP.
“É preciso mudança, em especial na atleta média. Elas são boas para os clubes pequenos, mas vão para os grandes porque são baratas” - José Neres, supervisor do Rio do Sul.
A reportagem entrou em contato na quarta-feira com a supervisora do São Caetano, Marina Ivete Silva. Ela estava no Paraná acompanhando uma equipe de base e pediu para ligar mais tarde. Não atendeu. Na quinta-feira, ela também não retornou os telefonemas do L!Net.
O L!Net entrou em contato por telefone com o gerente do Vôlei Amil, Rubens Rizzo, nos últimos dois dias. A reportagem, porém, não conseguiu entrevistar o dirigente sobre o ranqueamento das jogadoras da Superliga Feminina.

Com a palavra:
Daniel Bortoletto
Editor e colunista de vôlei do LANCE!
A CBV precisa modernizar o ranking de atletas para que ele tenha sentido de seguir existindo. Útil quando criado, importante quando a base das Seleções atuava no exterior e precisava de um estímulo para voltar. Mas agora ele não cumpre sua principal finalidade: evitar a criação de supertimes e hegemonias que afastam o interesse de novos investidores, principalmente no feminino.
A entidade não é a única culpada. Os clubes têm grande parcela, já que votam individualmente para a pontuação dos atletas, muitas vezes motivados pelos próprios interesses. E assim ajudam na manutenção das distorções.

Outras opiniões:
"O ranqueamento é importante pois delimita os investimentos, deixando o campeonato mais homogêneo. Acho que precisamos de um ranking mais rigoroso para que as jogadoras de Seleção possam ser mais acessíveis para as equipes. A questão do ranking deu uma badalada por conta da situação do Osasco. Jogadoras como Adenízia e Camila Brait deveriam pontuar, mas entraram na questão do clube formador mesmo com a mudança do CNPJ da equipe. Claro que não podemos punir quem tem mais recurso e um bom patrocinador, mas acho que todas as campeãs olímpicas deveriam ter sete pontos. Também poderíamos limitar para duas jogadoras com sete pontos por equipe" - Spencer Lee, técnico do Banana Boat/Praia Clube.
"Sempre buscamos o equilíbrio das equipes. Mas não quero tirar o mérito da Unilever e do Sollys, que estão novamente na final, pelo nono ano consecutivo. Os dois times estão mostrando que estão em um nível acima dos demais. Isso não vem da noite para o dia, tem uma história, uma longa caminhada. As demais equipes podem buscar outras situações, como a contratação de estrangeiras. Acho que tivemos um campeonato equilibrado nesta temporada. O que temos de fazer é viabilizar o que for melhor para o vôlei" - Talmo, técnico do Sesi-SP.
"Há muitos anos, quando o ranking foi criado, o objetivo era o de equilibrar as equipes. E eu acho que esse tem de ser o objetivo hoje em dia, também. Depois que o ranking surgiu, apareceram várias linhas que falavam sobre clube formador de um atleta, sobre jogador que vem de fora do país. Acho que tem de existir um bom senso sobre o que é bom para os clubes e o que é bom para a Seleção. Às vezes, você dá uma pontuação a um jogador, mas atrapalha o fato de ele seria titular em um time, mas comporá elenco em outro. O ranqueamento não deveria ser feito pelos clubes. A CBV deveria criar uma comissão, com um departamento técnico e algumas pessoas convidadas, para que existisse neutralidade no critério" - Radamés Lattari, comentarista de vôlei no Esporte Interativo.

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