segunda-feira, 18 de março de 2013

Vôlei Nacional: Mari fala sobre lesão, descarta seleção alemã e flerta com vôlei de praia


No momento em que caiu em quadra, naquele terceiro minuto de jogo, Mari voltou no tempo. Sentiu a mesma dor e teve a certeza de que tinha rompido o ligamento do joelho, agora o esquerdo, exatamente como em 2010.  Embora o médico do Fenerbahçe e Paula Pequeno pedissem para que parasse de repetir isso a todo tempo antes de fazer o exame, a ponteira sabia que teria de enfrentar dias difíceis e dolorosos outra vez. No próximo dia 26, ela será submetida a uma cirurgia com o doutor Ney Pecegueiro. Acredita que, assim como na anterior, poderá voltar a jogar antes do tempo de recuperação, previsto para sete meses. Durante esse período, vai decidir se está disposta a investir em mais um ciclo olímpico. Acha que, se estiver em boa forma, terá chances de ser chamada novamente pelo técnico José Roberto Guimarães, apesar das críticas feitas por não ter concordado com seu corte antes dos Jogos de Londres.  

- Não sei falar disso ainda. Não tenho problema nenhum com a seleção e nem com o Zé. Ele deixou as portas abertas. Este ano não tem como pensar nisso porque vou estar me recuperando. Não sei se quero fazer outro ciclo olímpico, tenho que pensar. E vou ter tempo para isso. Quando estiver pronta, estou à disposição dele. Ainda não conversamos porque não tivemos oportunidade, não surgiu assunto. Eu sei que posso pegar o telefone e ligar para ele a qualquer momento, e sei que ele vai falar comigo. O que também quero deixar claro é que eu nunca disse que ia jogar pela Alemanha. Falei que eu tinha essa possibilidade por ter passaporte alemão, mas não me sentiria bem vestindo uma outra camisa que não a amarelinha - disse.

Aos 29 anos, Mari vai passar pela terceira cirurgia séria na carreira. Lembra que quando passou pela primeira, em 2005, muitos acreditaram que pela gravidade ela não voltaria a jogar como antes. É nesse poder de recuperação e de surpreender as previsões que ela se apega para enfrentar o problema. Em 2010, quando se viu fora do Mundial por conta da lesão no joelho, chegou a pensar que não conseguiria mesmo pisar novamente numa quadra. Mas aí, o bom humor entrou em cena. Wolverine, personagem do X-Men, com superpoder de regeneração, também.

-  A primeira vez foi muito assustadora porque tudo é novo. A segunda vez é duro, você sabe que vai ter que passar por tudo de novo, mas eu já sei o que fazer, e a cabeça está mais tranquila. A rotina vai ser de correr atrás, o dobro até porque a musculatura demora a voltar. O processo é dolorido, mas esse é o meu trabalho, e eu dependo do meu joelho para fazê-lo. Então, tenho que tentar fazer esse processo da melhor maneira possível. Não vou deixar de jogar vôlei por isso. É como fazer o motor de um carro. Depois de feito, ele volta a andar de novo. Ainda é cedo para não falar em não jogar em alto nível. Eu tenho uma poder de recuperação rápido e as pessoas brincam que sou como Wolverine. E a cada vez que volto de uma cirurgia eu ganho algo - brinca.

Mari escolheu o Rio como local de sua recuperação e ficará sob orientação de profissionais da equipe comandada por Bernardinho. Depois da passagem turbulenta pela Turquia, como ela mesma define, quer voltar a jogar no Brasil. O contrato por lá vai até maio. Por enquanto, diz ainda não estar negociando com ninguém.

- Foi bastante turbulento lá. Eu tive uma lesão grave na coxa quando cheguei. Foi um estiramento de 6cm no quadríceps e levou um bom tempo para cicatrizar. E aí veio esse acidente (a quadra estava empoeirada e ela escorregou num ataque). Joguei pouco e tinha também o limite de duas estrangeiras por jogo. Quando chegou a minha hora, aconteceu isso. Mas não me arrependo de nada. Tudo valeu a pena lá. Até pela questão do amadurecimento. Mas a minha pontuação agora está baixa, porque não fui às Olimpíadas, e fica mais fácil de eu jogar aqui - afirmou, referindo-se ao sistema de ranqueamento das jogadoras feito pela Confederação Brasileira de Vôlei para nivelar os times.

Mari voltou ao Brasil exatamente no momento decisivo da Superliga, a final será disputada mais uma vez entre Rio de  Janeiro e Osasco, no dia 07/04. A jogadora que já atuou nas duas  equipes, não tem time preferido.

- Não gosto de falar sobre isso, porque gosto muito dos dois. Deus sabe quem trabalhou e merece mais. Nem sempre a melhor comissão técnica ou o melhor time vence. Será um grande jogo.

Perguntada se já acertou sua volta ao Brasil, ela comentou as possibilidades.

- Eu ainda não negociei com nenhum clube, mas já expressei  minha vontade de voltar a jogar no Brasil. Independente de que clube for jogar, vou escolher o que for melhor para mim. Para que eu possa voltar a jogar bem de novo. Não vou escolher pela cidade que gosto de morar. O vôlei de praia também é uma opção, eu adoro desafios, mas depende do que me for proposto.

A jogadora já atuou no Osasco, Pesaro (Itália), São Caetano, Rio de Janeiro e por último no Fenerbahce da Turquia. Pela seleção foi medalha de ouro, na Olimpíada de Pequim, no Pan Americano de 2011, e nos Grand Prixs de 2004, 2006, 2008 e 2009.

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/spt--mari-do-v%C3%B4lei--fala-sobre-les%C3%A3o--sele%C3%A7%C3%A3o-brasileira-e-a--volta-por-cima--185551404.html

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