segunda-feira, 1 de abril de 2013

Com paixão pelo saber, Sarah Pavan valoriza as lições da ida para o Rio


 Conhecimento é algo importante para Sarah Pavan. Não importa o assunto, o amor por aprender está sempre ali. Seja ao falar dos cursos que faz online para complementar sua formação em bioquímica e do sonho de fazer mestrado, ao contar sobre seus passeios pelo Rio de Janeiro, ao explicar por que aceitou o convite de Bernardinho para jogar no Brasil. A motivação da canadense parece ser sempre a mesma: o saber.

No próximo domingo, às 10h, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, Sarah aprenderá como é disputar uma final da Superliga. Em sua primeira temporada no país, ajudou o Rio a chegar à decisão contra o arquirrival Osasco.

- Eu amo aprender e gosto de saber as coisas. É divertido para mim. Vôlei é o que faço neste momento da minha vida, mas eu quero fazer algo acadêmico quando terminar e tenho que seguir estudando para estar atualizada – afirmou a jogadora, que fez recentemente um curso online de Genética e agora está estudando Fisiologia.

Foi esse amor por aprender que a trouxe ao Brasil. Vice-campeã italiana em 2011/2012 pelo Villa Cortese e escolhida a melhor atacante do Campeonato Europeu, a oposto decidiu jogar no Rio de Janeiro pensando em evoluir sendo treinada por Bernardinho e atuando entre as bicampeãs olímpicas.

- Eu recebi um contato do Bernardo e sabia da reputação dele como um grande técnico. Eu sabia que vindo aqui para treinar com estas garotas e com ele eu ia ficar bem melhor, então eu decidi arriscar. O nível da liga como um todo é muito forte. É divertido poder jogar com jogadoras tão boas em toda partida e todo treino, sendo uma estrangeira e tendo que me adaptar. Tem sido muito bom para mim – destacou a canadense, maior pontuadora da equipe na Superliga, com 303 pontos.

Mas Sarah também teve que aprender a lidar com o estilo intenso de Bernardinho no banco.

- Nos primeiros jogos foi difícil, até entender que não era nada pessoal. Depois ficou tudo bem, é o jeito dele – revelou.
O aprendizado de Sarah no Rio de Janeiro não se limita às quadras. Apesar de admitir que sente saudades da família – não vê a mãe há sete meses – e de estações do ano mais definidas – especialmente primavera e outono –, a jogadora está aproveitando o período como carioca e faz questão de conhecer bem a cidade onde está vivendo. Vai à praia sempre que pode, já visitou o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, o Theatro Municipal, o Jardim Botânico, o Monumento aos Pracinhas, explorou as ruas do Centro.

- É mais quente do que o Canadá, o que é legal. Tem muita coisa para fazer nos dias de folga. É uma grande cidade para se viver, eu gosto de jogar por esse time e foram bons meses. Acho que o Pão de Açúcar foi uma experiência boa, tem uma bela vista, mas com relação a coisas culturais eu realmente gostei do Theatro Municipal. Acho que o prédio é lindo, e eu adoro orquestras e coisas assim. Foi bem incrível. Gosto de experimentar onde estou. Gosto de aprender sobre a cultura, investir nisso - disse a oposto, que recentemente viajou para Búzios e ainda gostaria de ir a um jogo de futebol.

A nova língua também faz parte do aprendizado, mas Sarah prefere ser discreta sobre isso.

- Eu tento manter em segredo, mas consigo falar português. Não é fluente, mas se estou falando com as pessoas aqui ou se vou a um restaurante, uma loja, eu consigo falar com as pessoas. Mas fico tímida, com vergonha. Eu acho que a língua é realmente difícil.

Seleção é frustração

Filha de jogadores e treinadores de vôlei, Sarah Pavan brinca que praticamente nasceu dentro de quadra. Mas, antes de decidir pelo esporte, jogou futebol durante sete anos, além de basquete, atletismo e até badminton.

- Quando eu nasci, meus pais jogavam e treinavam, então eu estava no ginásio desde que nasci praticamente, apenas correndo e tal. Eu achava o que eles faziam bem legal, então queria ser como eles.  Mas crescendo, eu joguei todos os esportes, mas eventualmente decidi que o vôlei era o que eu queria quando eu tinha 15 ou 16 anos – contou.

A escolha, porém, também tem seu lado ruim. A seleção canadense atualmente ocupa o 22º lugar do ranking da FIVB e disputou apenas três Olimpíadas em sua história (1976, 1984 e 1996), o que ela admite ser uma frustração.

- Eu não posso controlar onde nasci. Gostaria que o Canadá fosse para as Olimpíadas no vôlei? Claro! Isso vai acontecer? Bom, não sei... É bem frustrante, mas sou apenas uma pequena peça no quebra-cabeça e não há muito que possa fazer - finalizou.


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