sábado, 6 de abril de 2013

Superliga: Antes da decisão, Bernardinho avisa: 'A chance de atropelamento existe'


Na temporada passada, um pedido de Bernardinho fez Fernanda Venturini deixar a aposentadoria. O marido precisava de uma levantadora, e ela aceitou voltar à dura rotina de treinos. Em troca, só queria que ele diminuísse o ritmo - ou no Rio de Janeiro ou na seleção masculina. Estava certa de que seria atendida, mas a espera continua até hoje. E, pela vontade do treinador, continuará na próxima. Se irá conciliar as duas funções até 2016, diz que ainda não pode responder. Prefere ressaltar que terá de se preparar para boas batalhas. A primeira delas marcada para este domingo, às 10h, na final da Superliga contra o Osasco. A outra, com a renovação da seleção. 

- Algum dia eu atendo o pedido da Fernanda (risos). Ela está mais compreensiva e me perdoou. A rotina não muda. E ainda vai piorar porque o trabalho na seleção vai ser mais difícil pelas carências que nós temos, as dificuldades que vamos ter. Vai ser mais complicado. Temos que montar equipe, reiniciar trabalho e tem Jogos no Rio de Janeiro. E agora nós vamos nos preparar para travar uma longa batalha contra o Osasco. A chance de atropelamento existe, e o contrário inexiste. O time delas é superior individualmente falando. Tem a Thaísa, Sheilla, Jaqueline e Garay, quatro titulares a seleção, a segunda líbero da seleção (Camila Brait), uma levantadora (Fabíola) que esteve no grupo, mas que não foi a Londres. É uma seleção brasileira. Mas temos um bom conjunto - disse.

Mesmo tendo perdido uma peça importante como Logan Tom. Na reta final da fase de classificação, uma lesão no tornozelo esquerdo tirou a americana da quadra por quatro semanas. Para o lugar da ponteira vice-campeã olímpica Bernardinho, escalou a jovem Gabi. Deu certo.

- Isso tem acontecido. No ano passado perdemos a Natália e jogamos grande parte do tempo sem a Mari. Infelizmente a gente tem passado por esses tipos de percalços. Na minha carreira sempre foi assim. Eu operei o joelho e consegui ir às Olimpíadas. Em 96, a Ana Moser operou o joelho, a Hilma quebrou o pé, depois em 2000, foi a Virna com problema no pé e a Fofão no tendão de Aquiles. Em 2004, Nalbert operou o ombro, em 2008, o Rodrigão. Em toda grande competição eu tive algum tipo de problema, mas é do esporte. Desta vez, a postura da equipe foi a ideal, de se entender como equipe. Claro que sem Logan a gente perde possibilidades, alternativas, mas não podemos ser "Logan dependentes" ou "Fofão dependentes". Não podemos depender de ninguém.  

Bernardinho diz que teve um grande prazer de trabalhar com o atual grupo. Talvez por isso, aos olhos de suas comandadas, tenha parecido um pouco mais calmo durante toda a temporada. Ele garante que o mérito é todo das jogadoras e também dos exercícios físicos (corrida e bicicleta) que não deixam acumular o estresse.

- Tudo depende do grupo de trabalho. De como o trabalho se desenvolve. As coisas ficam mais leves quando tudo flui bem. A recuperação da Natália, trazer a Gabi... Isso tudo para mim é uma motivação e algo que me traz muita alegria, prazer de trabalhar. Eu gosto de fazer isso aqui. Quando as coisas não fluem aqui, para mim gera frustração, eu fico mal e por isso fico menos paciente. A primeira etapa do que nós nos queríamos fazer, conseguimos, que era chegar à final com o Osasco. O primeiro passo foi dado. Agora sabemos da dificuldade que teremos, mas vamos tentar.  

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