sábado, 6 de abril de 2013

Superliga: Atleta 'sem muito talento', Luizomar ressalta orgulho em revelar novatas


À beira da quadra, Luizomar de Moura apenas observa. Vez ou outra, indica alguma jogada a ser feita, comemora o ponto após um longo rali e até reclama de um possível erro de arbitragem. Nos tempos técnicos, nada de gritos ou palavras duras. A voz é firme, mas o discurso é tranquilo. No comando de um dos melhores times do país, em busca de seu quarto título de Superliga, o treinador do Osasco adota um perfil mais sereno. A escolha, até aqui, tem dado frutos.

O currículo, mesmo recheado de conquistas, costuma estar à sombra dos holofotes. Em um país de campeões olímpicos, Luizomar ainda não tem o mesmo status de técnicos como José Roberto Guimarães e Bernardinho, seu rival na decisão da Superliga no próximo domingo, contra o Rio de Janeiro. O treinador, no entanto, não parece se importar com reverências. Com o tempo, o pernambucano de Caruaru aprendeu a trabalhar em duas frentes. À mesma medida que tem sucesso no comando do Osasco, onde está desde 2006, se apresenta como um descobridor de talentos na equipe e nas seleções de base. Foi com seu trabalho, por exemplo, que Natalia, hoje na equipe carioca, surgiu como uma das maiores promessas do vôlei nacional.

No próximo domingo, às 10h, Luizomar estará à frente do Osasco em mais uma final de Superliga contra o Rio de Janeiro.

Ser reconhecido como um descobridor de talentos é um dos orgulhos de Luizomar. Técnico da seleção juvenil, vice-campeão mundial em 2011, ele diz renovar suas energias a cada vez que segue para o Centro de Treinamento de Saquarema. Depois de uma tentativa frustrada de representar o Brasil como atleta, o treinador vê seu esforço recompensado no trabalho com a base.

- Eu sinto muito orgulho. Quando conhecemos as meninas com 14, 15 anos, falamos muito sobre elas se tornarem atletas olímpicas, de estarem em uma final. Eu acho que foi uma oportunidade que surgiu na minha vida e eu abracei. Eu tinha o sonho de vestir a camisa da seleção brasileira como atleta, mas não consegui. Fui um atleta extremamente esforçado, mas sem muito talento. Quando surgiu a oportunidade de colocar o uniforme pela primeira vez (como técnico), foi como se eu estivesse vestindo para entrar em quadra, com aquele sonho que estava adormecido há muitos anos e acordou.

Luizomar chegou à seleção como auxiliar de Marco Aurélio Mota na equipe principal, entre 2001 e 2002. Foi escolhido para o cargo depois de uma campanha vitoriosa daquela edição da Superliga, com o Flamengo. Em sua primeira experiência como técnico, conquistou o título mesmo lutando a todo o tempo contra uma forte crise no clube e os constantes atrasos de salários de um elenco recheado de estrelas. Seu perfil tranquilo, ele diz, é resultado justamente da maneira com a qual enfrentou os problemas no time carioca.

- Foi uma característica que eu desenvolvi nesses anos todos. Eu tive o prazer de, no meu primeiro ano como treinador, ter pessoas ao meu lado que me conheciam e que me ajudaram a gerenciar uma grande crise. Meu primeiro ano não foi fácil. Vestíamos uma camisa de clube, coisa que não é muito normal no vôlei, com uma torcida apaixonada. Tivemos problemas de salários atrasados, mas eu tinha em quadra grandes amigas, além de grandes atletas. Imagina se, no meu primeiro ano como técnico, aquelas meninas, como Virna e Leila, não quisessem jogar por não terem recebido? Eu já comecei tendo de administrar uma crise. Por isso aquele título da Superliga me marca muito. E talvez ter tido de administrar aquela crise tenha me levado a seguir por um lado mais tranquilo, mais parceiro. Mas é uma característica minha também, não sou cara agitado. É o meu jeito e está dando certo.

O sonho, no entanto, é óbvio. Luizomar mede algumas palavras, adota um tom tranquilo, mas admite que seus passos seguem em direção à seleção principal. Sabe que a oportunidade dificilmente chegará em breve. O técnico, porém, garante que estará pronto quando tiver a chance.

- Eu acho que a gente tem de se preparar para novos desafios. Eu não faço desse desafio o meu dia a dia. Eu já me sinto um técnico de seleção brasileira. Quando chego lá na base, aquele é meu ciclo olímpico. Mas, em relação ao futuro, claro, se surgir a oportunidade, eu quero estar preparado.

Campeão da Superliga passada, Luizomar liderou o Osasco em mais uma temporada quase perfeita. Conquistou os títulos do Mundial e do Paulista e avançou aos playoffs da competição nacional com a segunda melhor campanha, atrás apenas do Rio de Janeiro. Mas não foi tão fácil. Em um elenco com cinco campeãs olímpicas, era preciso manter a vontade de seguir vencendo. Para o treinador, a garra de querer novos títulos depois do ouro em Londres é o maior mérito da equipe.

- O vôlei feminino teve uma temporada muito boa. Eu herdei grandes jogadoras, que já estavam no meu clube, mas que estavam chegando de uma grande conquista que foi o bicampeonato olímpico. Quando elas chegaram, eu pedi, em uma reunião, para que elas também focassem no clube, que também estava com sede de conquistas. Elas entenderam, se fecharam e estão fazendo uma temporada muito boa. Tiveram a responsabilidade de conviver com tudo o que aconteceu com o bi olímpico sem deixar de ter a sede de conquistas.

Na nona final seguida entre Osasco e Rio, Luizomar ainda espera surpreender as rivais. Para que as paulistas conquistem o sexto título da Superliga, o treinador pede que as jogadoras façam além do que fizeram até agora.

- São finais consecutivas e repetidas, mas com atletas diferentes. A gente sempre tenta crescer, armar estratégias. Eu sempre tento imaginar o que o Bernardinho está pensando para a nossa equipe. E elas sabem disso. São atletas vitoriosas. Elas sabem que, em partidas como essa, há a necessidade de apresentar algo diferente.

Fonte: GloboEsporte

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