terça-feira, 9 de abril de 2013

Superliga: Com atletas mobilizados, presidente da CBV responde a reivindicações


Esporte que sempre coleciona medalhas em Olimpíadas, o vôlei brasileiro domina o cenário mundial, tem os melhores atletas da modalidade, consegue mantê-los em solo nacional e ainda paga salários superiores aos estrangeiros. Mas, apesar da evolução nos últimos anos, os jogadores ainda pedem mais melhorias para que as condições tornem-se ainda melhores em um esporte que é tão campeão.


Ary Graça minimiza saída de patrocinadores: Todo ano é mesma coisa 'CBV cria espetáculo ' à la' NBA em decisão da Superliga, mas termina temporada sob questionamentos 'Por uma Superliga melhor' :  atletas dão mais um passo e articulam união dos clubes

Um campeonato nacional de apenas quatro meses, com clubes dependentes de patrocinadores instáveis e que submete os atletas a uma maratona de jogos ao longo das semanas. Essas são algumas das reivindicações comuns a um grupo de 280 jogadores que se juntaram para pensar em sugestões que pudessem melhorar as condições do vôlei no país. Mobilizados, eles bateram na porta da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) para propor as mudanças e, já na próxima edição da Superliga, verão alguns de seus pedidos serem atendidos - pelo menos é o que garante o presidente da entidade e também da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), Ary Graça.

O ESPN.com.br aproveitou a ocasião da final da Superliga feminina para conversar um pouco com a maior autoridade do vôlei no país sobre todos os questionamentos que surgiram ao longo desta temporada a respeito das melhorias que poderiam ser feitas pela organização. O presidente não hesitou em responder nenhuma pergunta e falou com a reportagem por quase 10 minutos sobre tudo o que já tem pensado para a próxima edição da Superliga. E tranquilizou todos os atletas, que fazem campanha "por uma Superliga melhor", garantindo que a maioria dos pedidos deles já seriam atendidos na próxima temporada e se colocando à disposição para ouvir novas sugestões - Ary Graça já agendou uma reunião nesta terça-feira com representantes das jogadoras da Superliga feminina e terá outra com representantes do masculino na outra terça, dia 16.

Uma das principais reivindicações dos atletas é justamente a questão do calendário, que deixa a Superliga com uma maratona de jogos e tendo a duração de apenas quatro meses. E ele será o primeiro a sofrer alterações, conforme garantiu Ary Graça. A Copa Brasil, competição que aconteceria entre um turno e outro da Superliga somente com os oito primeiros colocados em eliminatórias simples é outra sugestão dos jogadores que também deverá ser aplicada em 2013/2014. Mas há algumas questões abordadas pelos atletas ainda não serão realizadas já na próxima temporada. O repasse das verbas dos direitos de TV e de outros patrocinadores da Superliga aos clubes, por exemplo, ainda não será posta em prática, e a tecnologia utilizada pela arbitragem na final do torneio também não será implantada a todos os jogos da competição.

Sobre o principal problema que levou os atletas a organizarem um grupo para discutirem as melhorias na Superliga ­ a perda de equipes por falta de patrocínio -, o presidente da CBV não demonstrou muita preocupação. Ary Graça minimizou a saída de patrocinadores recentemente e o fim das equipes financiadas por eles - por enquanto, Campinas, Florianópolis e Vôlei Futuro ainda são dúvida para a próxima temporada alegando que isso é algo que acontece todos os anos e pontuou: "No fim da temporada, sempre tem isso: vou sair, não vou sair. Mas nós nunca deixamos de realizar uma Superliga nos últimos 16 anos, nunca. Nós nunca baixamos o padrão".

Leia a entrevista completa com o presidente da CBV, Ary Graça:

ESPN.com.br - O que vai dar para fazer já na próxima edição da Superliga? Como a CBV está recebendo essa mobilização?

Ary Graça: Primeiro que não é um problema meu, é um problema da CBV. Já ouvimos os atletas. Convidamos as meninas para terça-feira uma reunião no Rio, pelo que eu sei até agora ninguém vai aparecer. Quer dizer, eles vão, criam o problema e depois ninguém vai resolver o problema. No masculino certamente virá. Eu gostaria de ouvir deles o que se pode fazer de melhor, porque nós sempre precisamos melhorar, mas no momento, 1. no mundo inteiro, masculino e feminino, não tem nada melhor.2. Ninguém paga melhor do que o Brasil no masculino e no feminino. Ninguém faz esse show que nós fizemos [na final da Superliga feminina]. Mas estamos abertos a conversar e ouvir as reivindicações.

Sobre a questão do calendário, vai mudar algo para a próxima temporada?

Já está resolvida essa questão.Isso já foi conversado na reunião com a TV Globo [que detém os direitos da Superliga]. A TV Globo era quem determinava o horário e agora nós já estamos em negociações avançadas na tentativa de modificar esses horários. Isso antes dos jogadores falarem nada, já estava antes resolvendo isso. 

E sobre a possibilidade de realizar uma Copa Brasil, uma competição curta que aconteceria entre os dois turnos da Superliga?

Isso já estava combinado, é que as pessoas não leem o que se combina. Já está combinado de fazer um Sul-Americano no meio da competição, fazer Copa Brasil, nós vamos fazer uma Copa Brasil em todos os estados para dar oportunidade a todo mundo, isso tudo já estava acertado. É por isso que eu disse a você, eu gostaria de ouvir o que fazer mais, porque tudo o que se recomenda já vai ser feito.

Os jogadores da Superliga masculina formaram um grupo de e-mails há alguns meses para discutir melhorias para a Superliga. Hoje, são 280 pessoas nesse grupo já, e eles até já tiveram uma reunião com o senhor para conversar sobre essas reivindicações. O que o senhor acha dessa mobilização?

Qualquer tipo de mobilização no sentido construtivo é importante, porque não tem ninguém dono da verdade. Agora, vamos ouvi-los, vamos ver quais são as reivindicações. Só que eu acho que houve uma precipitação, porque a grande preocupação é a lista de pontos [ranqueamento] e nós nem mostramos a lista de pontos [da próxima temporada]. Então acho que sempre estivemos abertos, tanto é que nós temos um livro de mais de 100 páginas em que foi dado aos clubes e aos jogadores a possibilidade de trazer as reivindicações que eles tinham há uns oito anos e 95% já estão cumpridas. Então o diálogo é absolutamente aberto, franco, sem problema nenhum.

Sobre os patrocinadores dos clubes de vôlei, que frequentemente acabam abandonando os projetos no meio do caminho, existe algo que a CBV pode fazer para evitar isso?

Nós nunca deixamos de realizar uma Superliga nos últimos 16 anos, nunca. Nós nunca baixamos o padrão. Pelo contrário, nós aumentamos o padrão e trouxemos do exterior os jogadores brasileiros e as jogadoras. Agora todo início de temporada é a mesma coisa, eu vou sair, eu não vou sair, eu vou entrar, eu não vou entrar. Se sair alguém, vai entrar alguém.

Mas o feminino diminuiu dois times nesta edição...

Não. Nós diminuímos por uma questão técnica. Nós temos uma filosofia completamente diferente de qualquer outra competição. Eu não vou deixar jogar numa competição que é altamente de elite times que não têm condições. Por isso que nos nossos estatutos está escrito que tem um mínimo de pontos para entrar. Eu não vou deixar entrar qualquer time para que eu tenha uma competição de baixíssimo nível, como você está vendo no futebol, no Campeonato Carioca. Isso é você denegrir a imagem do que você tem.

Uma reivindicação dos clubes é a de que tenha um repasse de verba a eles por parte da CBV, porque eles não recebem nenhuma porcentagem dos direitos de TV da Superliga, nem dos patrocinadores do campeonato e têm algumas limitações de placa de patrocínio na quadra. Há algo que se possa fazer agora quanto a isso?

Acho que a liga tem sido oferecida há 12 anos a quem quisesse tomar conta dela. Aos clubes, aos jogadores, a todo mundo. Ninguém até hoje aceitou. Hoje nós estamos com uma condição um pouco melhor porque o vôlei brasileiro explodiu, e as condições melhoraram. Mas é distribuída ao final das Superligas a todos os clubes, estão aberto aos atletas, os balanços das competições, com o que entra e o que sai. E digo a você, a Superliga ainda não está madura suficiente para se manter na mão de terceiros. Hoje, quando você fala em patrocinadores, você vai lá no balanço e vê que eles não são esse volume todo que se possa imaginar. A maior parte do dinheiro vem da TV Globo, um total de R$ 3 milhões, que de certa forma, já retorna diretamente para os clubes, porque eu quero lembrar a você que a única confederação brasileira que paga mais de R$ 9 milhões em passagem. Claro que tem acordo, então acaba pagando só R$ 2,5 milhões. Ou seja, R$2,5 milhões que se dá aos clubes, coisa que não existia no passado, quando os clubes ppagavam suas passagens. A arbitragem, que custa R$ 600, R$ 700 mil reais, os clubes arcavam com essas despesas, hoje a CBV 'entrega' aos clubes esse dinheiro, paga a arbitragem para que os clubes possam se concentrar nos atletas e possam pagar melhor. Volto a dizer, ninguém no mundo paga igual o Brasil. E um detalhezinho que é muito importante: o Brasil paga. Paga. Lá fora, machucou, para de pagar. Não ganhou, não paga. Então nós pagamos. Não tem nenhum atleta alegando que não recebeu seu salário. Por maior que seja.

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