sábado, 6 de abril de 2013

Superliga: Em temporada de superação, Régis, ou Diva, vira curinga do Rio de Janeiro


A temporada começou diferente para Regiane. Foi preciso se acostumar a ver o jogo de outro ângulo. Dali, da lateral da quadra. Foi difícil, ela não nega, mas não havia tempo para se lamentar. Até porque Bernardinho não deixava. Quando o jogo estava difícil, ele a colocava em quadra. Regiane correspondia. A cena se repetia. Bastava um olhar do técnico em sua direção e ela entendia que era hora de resolver o problema. Neste domingo, quer ter a oportunidade de ajudar o Rio de Janeiro na nona final consecutiva da Superliga contra o Osasco. A partida será disputada às 10h, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, e terá transmissão ao vivo da TV Globo.

- Ele sempre fala: 'Fica pronta aí'. E quando me chama eu sei que é para resolver o que não está dando certo. Tenho que estar pronta para qualquer situação. Pode ter pressão, mas é a hora pela qual espero, porque quero estar ali dentro. No início foi um pouco triste para mim. Mas ninguém chega aqui com seu espaço garantido. Tem que ir conquistando, não tem uma titular definida. Então, essa temporada foi de superação para mim. E agora dizem que sou o curinga - admite.

Regiane fez do limão uma limonada. Resolveu emprestar sua experiência não só dentro, mas fora de quadra também. Ganhou mais tempo para observar o jogo e aproveita para passar dicas importantes para as companheiras durante as partidas. Natália, Sarah Pavan e a jovem Gabi ouvem com atenção.  

- Régis é o grande coração do time. Ajuda em todos os sentidos. Eu particularmente tenho que agradecer a ela porque nos jogos em que estou de titular ela está no banco me passando as orientações e isso me ajuda muito. Taticamente já salvou o time em várias situações difíceis. O Bernardo sempre fala para que treine na saída e na ponta porque vai precisar dela. Ele brinca e diz que quando a gente precisar de alguma coisa não é para pensar duas vezes: 'Chama a Diva' - brinca Gabi.

É assim que a ponteira de 26 anos, há nove na equipe e com a qual conquistou cinco títulos nacionais, é chamada pelas jogadoras e também pela torcida. Gosta do apelido cheio de glamour. Acha graça, faz pose. Gosta tanto do que faz que hoje não consegue se imaginar em outra profissão. Não se arrepende do dia em que pulou a janela de casa, em Piracicaba, para ir a um treino de vôlei. Mesmo que a contragosto da mãe. Foi ali que Dona Creuza entendeu que não teria como frear a filha.
- Eu jogava basquete, era pivô, e disse a ela que queria começar a treinar vôlei. Ela me falou: 'Você não sabe o que vai fazer da vida'. Aí eu fui e pulei a janela para ir ao treino e ela viu que não tinha jeito. Minha mãe trabalhava como empregada doméstica e nós não tínhamos dinheiro para que eu fosse treinar todo dia. Hoje ela tem muito orgulho de mim - sorri.
E estará na arquibancada torcendo pela filha contra o Osasco. Regiane espera que o final da história seja diferente do que viveu na edição passada, quando a equipe paulista levou o troféu após um 3 a 0.

- A gente não pode falar que vamos ganhar. Não sabemos o que vai acontecer. O que queremos é jogar bem. O grupo está focado e tem o mesmo querer. Esse grupo chegou até aqui pelo trabalho, pela determinação, vontade e união. Estamos unidas e sempre alegres. Ganhando ou perdendo, em todo momento, uma está sempre dando força para a outra.



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