sábado, 6 de abril de 2013

Superliga: Ex-tenista, Gabi 'carrega' Federer para sua primeira final de Superliga


De um dia para o outro, a rede subiu. O espaço da quadra diminuiu, e a raquete deixou de ser a extensão do braço. Gabi já não precisava mais dela para devolver com força a bola para o outro lado. A mão bastava. A família, toda de jogadores de tênis, temeu que o vôlei fosse apenas um amor de verão na vida da menina de apenas 14 anos. Não foi. Quatro anos depois, Gabi já foi convocada para a seleção brasileira e ganhou o lugar de titular no Rio de Janeiro. Neste domingo, contra o Osasco, disputará a sua primeira final de Superliga. E garante que quando pisar no ginásio do Ibirapuera, não estará sozinha. Caminhará com Roger Federer ao seu lado.

Mesmo após a troca de piso e quadra - só para não perder o contato com as amigas depois das aulas no colégio -,  não deixou de repetir um ritual que para ela sempre foi sagrado: sentar-se diante da TV ou do computador para acompanhar os jogos do suíço. Tem nele um professor até hoje. A matéria? Como ter tanto controle mental diante de momentos de pressão.

- Se pudesse fazer uma pergunta a ele seria: "Como você consegue ter tanta frieza, manter a concentração em situações de dificuldade?" Eu busco isso nele. No vôlei é pressão o tempo todo. Não se pode errar. Um dos meus maiores sonhos é poder bater bola com ele - disse.

Desde que deixou o Mackenzie e se mudou de Belo Horizonte para o Rio, Gabi não tocou em uma raquete. Não podia se machucar. Anda "seca" para voltar a jogar e maltratar os adversários com seu backhand, apesar de ser destra. O saque também sempre foi uma de suas armas, à la Nadal, como gosta de brincar. Mas fala bem sério ao deixar claro que vem trabalhando firme na musculação para ter uma pancada tão forte quanto a da companheira de equipe Natália.

- Não chego a ser como ela, mas estou aprimorando bastante isso com malhação (risos). Se pudesse escolher o que gostaria de ter de algumas jogadoras seria a  potência da Natália, a habilidade da Sheilla e o domínio da Fabi. Sei que estou indo bem, mas ainda tenho muito a melhorar, como o passe.

Por enquanto, vem também se acostumando a uma realidade comum às três campeãs olímpicas: o assédio dos torcedores. Desde que ganhou o lugar da americana Logan Tom, que lesionou o tornozelo na reta final da fase classificatória, Gabi já perdeu as contas do número de mensagens que recebeu e ainda se surpreende ao ouvir seu nome gritado pela arquibancada. Até outro dia, não imaginava que isso pudesse ser possível. Muito menos que dividiria a quadra e a atenção de Bernardinho com jogadoras tão consagradas. Não sabia como agir. Aprendeu a lidar com as broncas do treinador e passou a falar tão rápido quanto ele. Bem longe do ritmo e pausas do sotaque mineiro.

- Eu não gosto que passem a mão na minha cabeça. Não é porque sou a mais novinha que posso errar. Ele e elas estão me fazendo evoluir, crescer muito. Lembro que na hora que a Logan se machucou eu falei: "Putz!". Sabia que teria que entrar e queria substitui-la à altura. Foi uma pressão grande. Fabi e Bernardo me falaram que era para eu fazer o melhor. E saiu da maneira que tinha que ser.

Durante os playoffs, a fisionomia serena em partidas complicadas fez Gabi parecer uma veterana. Ensinamentos de Federer em ação. Neste domingo, sabe que precisará manter a tranquilidade para tentar vencer o maior desafio da curtíssima e meteórica carreira. Não descarta também um outro tipo de ajudinha. O brinco da sorte estará na orelha. O mesmo par de tênis usado no treino tático e as duas meias para dar estabilidade também estarão em quadra.

- Sei que a responsabilidade é muito grande. Numa final de campeonato tem muita coisa em jogo. Estou ansiosa por ser a minha primeira final. Tudo está acontecendo rápido demais para mim, mas Bernardo tem me passado tranquilidade nos treinos, assim como meus amigos também. A família e todos eles estarão no ginásio me apoiando. Tenho que manter a concentração e jogar com aquela pressão. Como o Federer. 

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