sábado, 6 de abril de 2013

Superliga: Fofão usa música para entrar em 'bolha' de isolamento antes da final



Sentada num cantinho do vestiário, ela fita cada companheira de equipe em silêncio. "Heart of a Champion" (Coração de Campeão) de Nelly toca alto no fone de ouvido enquanto Fofão lê seus rostos. Precisa entender o estado de espírito de cada uma. É ali que o jogo começa para a levantadora do Rio de Janeiro, antes mesmo de o árbitro autorizar o primeiro saque. Neste domingo, na final contra o Osasco, às 10h, no ginásio do Ibirapuera, as informações serão ainda mais preciosas. É um dia onde tudo precisa funcionar direitinho. Inclusive o ritual, ou mania, como ela prefere, de ouvir as mesmas músicas, que começa cedinho e a coloca numa espécie de "bolha".

-  Às vezes eu fico ansiosa e me isolo ali no meu mundinho. Não tem como não sentir isso. Já acordo ouvindo uma música barulhenta, mas do hotel até o ginásio sigo uma rotina, uma lista que já deu certo (risos). Ali eu começo a refletir, a entrar no clima do jogo. Não gosto muito de falar nessa hora porque estou concentrada. Tenho que observar todo mundo. As reações delas me ajudam. Às vezes uma partida é o resultado do jeito do vestiário. E isso me ajuda em quadra porque sei o que tenho que falar ou fazer para motivar cada uma - disse.

A responsabilidade é grande, e Fofão gosta dela. Aos 43 anos, depois de uma temporada afastada, a campeã olímpica tem fome de título. Apesar das quase três décadas de carreira, admite sentir uma pontinha de ansiedade antes de uma decisão. Mas tudo acaba quando ouve o primeiro apito. É hora de distribuir as jogadas e tirar o melhor de cada jogadora. Sem cobranças em excesso. Principalmente com Gabi, a mais novinha do grupo, que disputará sua primeira final de Superliga.

- Gabi não era titular e conquistou a posição. Minha maior preocupação é não jogar a responsabilidade em cima dela. Ela não pode ter a responsabilidade de nada. Se estiver bem, vou usar e abusar dela. O mais importante para mim é deixar todo mundo confortável. Nós temos 12 jogadoras sempre. Gabi é muito nova e temos que dar muito apoio. Se vai ser pressão para mim, imagina para ela?

Para tentar minimizar o tamanho dela, Fofão recorre a canções. O percurso do hotel até o ginásio costuma ser pontuado e dividido em três partes. No ônibus, a caminho do Ibirapuera vai ouvir Adele (Someone like you), Grupo Bom Gosto (O amor chegou), Grupo Revelação (Aventureiro e coladinho) e Péricles (Linguagem dos olhos). No vestiário, começa com Rihanna  (Good girl gone bad), Nelly (Heart of a champion e My place) e algumas de Beyoncé. No momento final de concentração, ouvirá Sorriso Maroto. Se puder completar a sequência, espera ouvir depois do jogo "We are the champions", do Queen.

- Acho que essa é a música que todo atleta costuma escolher porque marca mesmo. É forte.
Mas para que ela toque, Fofão sabe que o Rio de Janeiro precisará jogar muito. O adversário é forte, é o atual campeão e quer manter a coroa. A mesma com a qual a levantadora sonha. Dona de três títulos brasileiros (1991/92, pelo São Caetano; 1998/99, com o São Bernardo e 2001/2002, pelo Minas, Fofão quer aumentar a sua galeria.

- Vai ser uma partida muito difícil. Não tem como. Não vamos encontrar facilidade diante de um time que foi montado para ser campeão da Superliga. Mas quando se chega a uma final não tem favorito. São seis contra seis. É um jogo único, e vários fatores vão contar na decisão. A técnica, dependendo do momento da partida, pode não ser o mais importante. É um dia em que ninguém pode acordar doente, com dor. Como o equilíbrio é grande, tudo precisa funcionar, cada detalhe. Acredito em um jogo de muita vibração. Uma verdadeira guerra entre duas equipes que se conhecem bem.

fonte: Globoesporte

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