terça-feira, 2 de abril de 2013

Superliga: Natália espanta 'nuvem negra' com lição de fé da mãe e ajuda de livro


Na fase de classificação da Superliga, o sorriso não conseguia esconder o que os olhos teimavam em denunciar. Natália não estava feliz. Apesar de as dores na canela terem sumido, a cabeça agora é que precisava de cuidados. Sentia-se longe de ser a Natália de antes das duas cirurgias. Até que a mãe, uma mulher de muita fé, pediu por sinais. E eles vieram. A fobia que tomava conta de Dona Lucimar toda vez que tentava, sem sucesso, entrar no tubo para fazer uma ressonância magnética, trouxe uma indicação de leitura de seu fisioterapeuta. O livro "O poder do subconsciente", de Joseph Murphy, ajudou a vencer o bloqueio. Sem perder tempo, pediu que a filha folheasse algumas páginas. Natália obedeceu. Aquelas palavras, associadas a um outro episódio contado pela mãe envolvendo Nossa Senhora, foram fundamentais para dar o estalo de que a ponteira do Rio de Janeiro tanto precisava. E na hora certa.

A tal da nuvem negra começou a se dissipar nos playoffs. O jogo de Natália cresceu e a fez ganhar ainda mais confiança para a decisão de domingo, contra o Osasco. Final que na temporada passada ela teve de acompanhar da arquibancada, com a sensação de impotência por não poder evitar aquela derrota para a equipe paulista por um 3 a 0. A partida no ginásio do Ibirapuera será disputada às 10h, com transmissão ao vivo da Rede Globo.

- Estou chegando perto da Natália que era antes. Na fase de classificação, estava bem longe, não fui bem. Dei uma crescida legal a partir das quartas. A cabeça da gente é algo complicado... Sempre pensava: "Será que vou conseguir fazer?". E não jogava bem. Eu estava na lama de cabeça. Aí procurei ajuda nos livros. Um deles me ajudou bastante, me deu dicas legais sobre o jeito de pensar, sobre a forma como falo comigo mesma. Claro que é preciso acreditar para que o desejo se concretize, mas isso me ajudou a repensar coisas. Eu tinha sempre uma nuvem negra em cima. Dúvidas, sabe? E passei a falar em voz alta que iria conseguir, falava para que o medo se afastasse de mim - disse a jogadora, que tem o sexto melhor saque (8% de aces) e a terceira melhor defesa (50,4% de eficiência) da Superliga.

E ele entendeu que era melhor mesmo ir cantar em outra freguesia. Natália estava determinada e sentia-se protegida pelas orações da mãe. Carrega no pescoço o cordão que ganhou dela com a imagem de Nossa Senhora. Lembra que precisa arrumar um dia para ir à Basílica de Aparecida, na companhia dos pais, para pagar uma promessa feita por Dona Lucimar.  A cura tão pedida, depois de duas cirurgias na tíbia esquerda para a retirada de um tumor benigno, veio. Mas foi preciso pedir um sinal. Só unzinho para acalmar o coração. A história que fez Natália chorar no telefone no início do campeonato, no fim de novembro, causa a mesma reação ainda hoje. Antes mesmo que termine a frase "Se meu olho encher de lágrima, não liga, tá?", a voz já está embargada. Mesmo assim, ela toma ar e continua.

- Minha mãe é a pessoa de mais fé na família. E ela vive pedindo sinais. Lá na igreja de Joaçaba tem uma imagem de Nossa Senhora e, durante uma missa, pediu que fosse dado um sinalzinho para saber se o que estava pedindo iria acontecer. Pouco depois, o padre saiu do altar e foi andando até o banco onde minha mãe estava sentada, pegou a mão dela e disse: "A Natália recebeu um milagre, foi curada". O padre não ia falar aquilo por falar. Desabei de tanto chorar quando ela me contou. E fui sentindo a dor diminuindo ao longo dos dias. Deus coloca as coisas na nossa vida por algum motivo. E eu cresci e me fortaleci bastante com tudo isso.

Aprendeu a ter paciência. A lidar com uma longa espera até poder disputar novamente uma final de Superliga. Conta os minutos para que domingo chegue logo. Reza para que possa dar uma boa contribuição para a equipe que tanto apostou nela. Quer ir para casa com sorriso no rosto e não com as lágrimas que na edição passada demoraram tanto a secar.    

 -  Nossa, eu esperei bastante tempo para esse dia chegar. Quero mostrar serviço, servir para alguma coisa, corresponder às expectativas. No ano passado, a minha sensação foi de impotência. Não podia fazer nada. Eu não esqueço fácil derrotas. E lembro que o jogo foi de manhã e às oito horas da noite eu ainda estava chorando. As pessoas falavam para eu parar, mas não conseguia. Foi igual no Mundial de 2010. Chorei a madrugada inteira, de o olho ficar inchado. Tenho um motivo maior de estar com fome de título, mas acho que esse é o retrato de todo o time depois daquela derrota por 3 a 0 na temporada passada. Acho que todas nós estamos com o sentimento de final, com aquele sangue nos olhos.

fonte: GloboEsporte

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