domingo, 7 de julho de 2013

Universíade: Braço direito de Bernardinho será o comandante do Brasil


Toda temporada é a mesma coisa. Esgotado pela rotina de quase 20 anos dividindo seu precioso tempo entre a equipe feminina do Rio de Janeiro e a seleção brasileira masculina, e pressionado pela mulher Fernanda Venturini a diminuir o ritmo, Bernardinho acena com a possibilidade de dar um tempo em um dos dois projetos, mas acaba seguindo em frente. Afinal, o apetite pelas vitórias e o amor pelo vôlei sempre falam mais alto e ele acaba enrolando a mãe de suas duas filhas e alimentando seu vício por mais um ano. Mas conciliar as tarefas só é possível graças ao seu assistente técnico e braço direito no time carioca, Hélio Griner. Apesar de ter o mesmo temperamento explosivo e inquieto de seu comandante, o treinador da seleção feminina na Universíade de Kazan, na Rússia, de 5 a 17 de julho, prefere ficar "invisível" e passa quase sempre despercebido da mídia e do grande público. Hélio Griner só é notado durante os períodos em que Bernardinho centraliza seu esforço no comando da seleção brasileira.

Tem sido assim desde 1998, dois anos após Bernardinho convidar o ex-técnico das categorias de base do Fluminense para ajudá-lo nos treinos da seleção brasileira feminina, na época dirigida por ele, e fazer parte da comissão técnica do projeto do então Rexona, criado na temporada 97/98, em Curitiba, no Paraná.

- Eu comecei ajudando nos treinos da seleção feminina, até que pintou a oportunidade de formarmos um time em 97. No entanto, o projeto não saiu do papel e só vingou na temporada seguinte. A ideia, então, era que alguém ficasse no comando dessa equipe durante o período que o Bernardo ficava na seleção brasileira. Como em 97 o Brasil não participou do Grand Prix e jogou poucas partidas, ele conseguiu conciliar e trabalhamos todos juntos. Foi só a partir de 98 que comecei a substituí-lo nos períodos da seleção. Acho que o segredo desse casamento é a cumplicidade e a confiança que temos um no outro - explicou o braço direito do técnico campeão olímpico e tricampeão mundial.

Ao mesmo tempo que abre espaço para Hélio Griner mostrar serviço no comando do Rio de Janeiro, a ausência temporária de Bernardinho na equipe carioca anula qualquer possibilidade de tê-lo na comissão técnica da seleção.

- Isso nunca me incomodou. Não tenho essa vaidade de estar na seleção brasileira. Eu gosto de fazer meu trabalho no clube e ser valorizado por isso. Muitas vezes tenho uma chance como técnico, como no ano passado e agora, dirigindo a seleção feminina na Universíade de Kazan, na Rússia. Isso já me basta - afirmou Hélio Griner.

Mas nem tudo são flores no dia a dia da dupla. Explosivos, inquietos e abnegados pelo trabalho, Bernardinho e Hélio Griner deixam claro à beira da quadra que se parecem em quase tudo. Até mesmo quando passam do limite.

- Hoje sou uma pessoa mais tranquila, mas realmente temos temperamentos parecidos. É que a responsabilidade do treinador é muito grande e exige muito mais. Você tem que estar no controle de tudo e às vezes acaba descontando o problema em quem não tem nada com isso. Somos duas pessoas explosivas e temos discussões normais, mas acaloradas. As vezes sem perceber nos xingamos mesmo (risos). Mas é coisa de momento, passa logo, nunca perdemos o respeito um pelo outro. Aprendi muito com o Bernardo ao longo desses anos. O importante é identificar o que está errado e tentar corrigir. Xingar pouco me importa. Pior é aquela pessoa que ri o tempo todo, mas faz a cabeça dos outros contra você - contou Hélio, casado com Tatiana e pai de Marina, de 6 anos, e Rafael, de 2.

Décimo colocado em 2009, na Sérvia, e campeão em 2011, na China, Hélio Griner se prepara para disputar sua terceira Universíade. Com a base do time do Rio de Janeiro nas mãos, pretende manter uma superstição quase juvenil para ter sucesso em território russo.

- Não sou uma pessoa muito supersticiosa. Às vezes até uso a mesma roupa durante uma competição quando a coisa está dando certo. A única coisa que realmente não faço em dia de jogo é cortar o cabelo. Fiz isso uma vez quando ainda jogava e tive uma atuação horrorosa. Ficou um trauma e prometi que nunca mais cortaria - lembrou Hélio Griner.

fonte: GloboEsporte

Nenhum comentário:

Postar um comentário